sábado, 7 de agosto de 2010

Cara e Coroa

Muitos são os meus desejos,
Poucos os teus anseios.

Minha ânsia te afoga,
Tua inércia sufoca.

Bruna Sousa


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Trépido.

Os sentimentos são pura vaidade.
Ferem, inspiram, inebriam.
Roubam meus sentidos e faz da pouca razão que percorre minha fala;pouco caso.

Você podia ao menos usar as palavras para distrair,
Poderia não me deixar sozinha a dançar.

Será que foi tudo invenção da minha pouca razão?

O pouco não me basta e o muito não satisfaz,
Sou um oceano em chamas,
Quero o tudo embriagando o nada.

Bruna Sousa

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Anjo de enxofre.

A verdade é que sempre há a guerra.
Lágrimas, tormenta e mãos acorrentadas.

Sinto que o ar falta,
Que a cabeça dói,
O corpo expulsa, mas o efeito é bumerangue.

Bru Sousa

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Espelho.

Perceber o que sou em ti é assustador.
Como se estivesse em um filme, percebo que o personagem principal pode ser por horas em voltas um mocinho e um bandido.
Não quero que este momento se estenda.
Desejo que essa energia emocional possa ser o passaporte para o que há de livre e poético em nosso eterno enlaçar.
Me acompanhe e permita-se consertar o erro que de nossas mãos sempre foram a desconstrução do presente.

Bruna Sousa

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Egoísmo secou o mar.

Dobrou de olhos bem fechados.
Se havia luzes acessas ela não saberia dizer.
Aquela presença constantemente ausente a cansou.
Ela precisava de muito menos do que ele suponha ser mais.
Bru Sousa

terça-feira, 25 de maio de 2010

Fênix

Como se pudesse guardar os "seus" num relicário, ela desfruta a vida.
Pulsando para o todo e abandonando a linha que divide uma superfície em duas partes iguais.
Ignorando o seu existir.

Perdendo a sensibilidade para o seu eu.
Buscando o que nunca se viu,
Por onde nunca se andou,

A divícia de seus cofres está no sorriso alheio,
Embora, muitas vezes, seu coração seja partido a posteriores pelos mesmos lábios.
Lábios que não calam a contento,
Que são egoístas em demasia para outrora gracejar.

Na constância do presente há um desejo que a iluminou,
A mudança ecoou entre o ranger dos seus dentes, ameaçando desconjuntar-se e fazendo germinar novos horizontes.

Bru Sousa

sexta-feira, 30 de abril de 2010

O futuro que morreu.

Tantos amantes e nunca mais nenhum amor amável-Esse foi o seu primeiro pensamento ao levantar da cama as 06:00 da manhã, com dores de cólicas que pareciam plantas carnívoras que a comiam corpo à dentro.
Um dia ela conheceu o amor que sempre ouvira nas canções e lera nas literaturas românticas com finais felizes. Mas, esse amor mudou.
Mudou de lar, mudou de ar, mudou de ser.
O que nunca mudou foi o vazio que ficou.
De lá para cá, nunca mais houve nem de perto o que se pudesse acreditar na possibilidade de preencher.
Fisgada pela dor latente em seu ventre ela voltou para realidade e pegou na bolsa seu remédio para à cólica e na esperança que ele também cessasse a dor do coração tomou e esperou aquela sensação aguda que a molestava partir.
Minutos depois estava trancada no banheiro aos prantos. E não porque a cólica não passará, mas por sua saudade engolir seu fôlego e sem medida alguma tontear seus pensamentos.
Quando a turbulência deu uma trégua e ela conseguiu se recômpor, como frutas maduras que caem do pé, uma a uma, seus sentimentos fizeram sentido lhe revelando o óbvio:Ela foi amada sublimemente e da forma mais veemente e pura que um amor pode se render.
Por fim, limpou o rosto e agradeceu por também ter amado aquele homem e por vários dias ter tido ele compondo seu sorriso, seu espírito. E com a leveza renovada depois de tantas lágrimas, o que restou foi a certeza que ela foi verdadeiramente feliz.

Bruna Sousa